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Publicadas as primeiras diretrizes latino-americanas para o tratamento do LES

14/03/2019 - Notícias

Pesquisadores do Grupo Latino-Americano de Estudo do Lúpus (Gladel) e da Liga Pan-Americana de Associações de Reumatologia (Panlar) publicaram em novembro as primeiras diretrizes latino-americanas para o tratamento do lúpus eritematoso sistêmico (LES) no periódico Annals of Rheumatic Diseases.

Segundo os autores, era necessário elaborar recomendações terapêuticas que levassem em consideração as particularidades e os problemas enfrentados pelos pacientes com LES na América Latina, portanto, a publicação vem preencher esta lacuna.

Em síntese, as diretrizes apontam que todos os pacientes com LES devem receber hidroxicloroquina, e que as demais opções terapêuticas devem ser feitas em função dos órgãos ou do sistema atingido, sendo o tratamento racional a opção prioritária para os países em desenvolvimento, onde os pacientes enfrentam dificuldades para receber o diagnóstico precoce.

A Dra. Eloisa Bonfá, médica reumatologista, diretora clínica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e uma das autoras do artigo, falou ao Medscape sobre as diretrizes.

De acordo com a médica, os dados da literatura mostram que os pacientes latino-americanos e mestiços e negros norte-americanos apresentam LES precocemente e têm quadros mais graves do que os caucasianos.

“Esses pacientes têm níveis ainda maiores de atividade da doença e de lesões permanentes de órgãos”, disse.”

O lúpus é uma doença autoimune de causa desconhecida que acomete”múltiplos órgãos. Fatores genéticos e ambientais, como exposição ao sol e infecções virais, contribuem para o seu aparecimento e para a gravidade dos sintomas. O baixo acesso a um sistema de saúde de qualidade também é um fator importante, pois limita o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, contribuindo para a gravidade da doença e suas sequelas.

“Restrições socioeconômicas e ao acesso aos serviços de saúde são questões especialmente importantes nos países em desenvolvimento, e evidenciam a necessidade do uso mais racional de medicamentos, bem como a priorização na indicação terapêutica para otimizar a distribuição”, afirmou a Dra. Eloisa.

Os problemas clínicos mais recorrentes entre pacientes latino-americanos com LES foram o ponto de partida dos especialistas do Gladel e da Panlar. No primeiro encontro, realizado em 2016 na cidade do Panamá, no Panamá, os autores das diretrizes elaboraram a relação com as questões mais pertinentes e, posteriormente, esses tópicos foram trabalhados em função das evidências disponíveis. Em um segundo encontro, realizado no mesmo ano em Washington, nos Estados Unidos, os achados preliminares foram discutidos. Ao final deste processo, consolidou-se uma série de orientações, divididas em nove seções, que abordam as melhores opções farmacológicas para os pacientes com LES e com diferentes manifestações: musculoesqueléticas, cutâneas, renais, cardíacas, pulmonares, neuropsiquiátricas, hematológicas e com síndrome dos anticorpos antifosfolipídicos.

De acordo com a publicação, todos os pacientes com LES devem receber o antimalárico hidroxicloroquina, imunomodulador que, segundo a Dra. Eloisa, deve ser usado em todas as fases da doença – desde que não haja contraindicação – e pode ser associado a qualquer medicação. No Brasil, esse medicamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e é de baixo custo.

“É uma substância com inúmeras vantagens para a doença, dentre as quais, diminui os surtos de atividade, reduz a mortalidade, diminui a incidência de infecção, aumenta a resposta à vacina, melhora o perfil lipídico e reduz a incidência de trombose”, afirmou.

Entre as opções que podem ser associadas à hidroxicloroquina, estão, por exemplo, glicocorticoides, imunossupressores, imunobiológicos e anticoagulantes, a depender das manifestações apresentadas. No caso dos glicocorticoides, as diretrizes ressaltam que deve ser prescrita a menor dose e pelo menor tempo possível.

Embora os medicamentos citados estejam disponíveis no SUS, a médica alertou que nem todos foram aprovados especificamente para o LES. “A indicação nesse caso é fora dos padrões e exige justificativa e aprovação para os órgãos governamentais. Entretanto, o arsenal terapêutico contra a doença ganhou impulso com a aprovação do imunobiológico belimumabe, que foi”o primeiro fármaco aprovado especificamente para o lúpus em cinco décadas, já que, até então, o último medicamento aprovado para tratar a doença havia sido a hidroxicloroquina,”em 1955″, disse.

Como orientação geral, as diretrizes indicam a importância de personalizar o tratamento e de engajar pacientes e familiares no plano terapêutico. Além disso, deve-se buscar alcançar e manter a remissão ou a baixa atividade da doença. Os médicos também devem atentar para as necessidades de fotoproteção dos pacientes e incluir medidas de prevenção para osteoporose, doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e infecções. O apoio psicológico e a orientação a respeito da gestação também são recomendados.

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